15/10/2009

Mococa, um anti-herói palmeirense


Por Fábio Mendes *

À primeira vista, a missão era agradável: encontrar e entrevistar Mococa, ex-volante do Palmeiras entre 1978 e 1980. O jogador ficou famoso por conta da famosa manchete do Jornal da Tarde que o colocava, ao lado de Falcão, como protagonista do grande duelo nas semifinais do Brasileirão de 1979, entre o alviverde e o Internacional: “Falcão ou Mococa?”, estampou o periódico, no dia 13 de dezembro daquele ano.

No entanto, um obstáculo se colocou à frente. Para chegar a Mococa (sim!), pequeno e simpático município do estado de São Paulo, distante 275 quilômetros da capital, é preciso encarar uma praga terrível que assola o estado paulista, algo ainda mais voraz e perigoso que nuvens de gafanhotos. Os pedágios!

Para um percurso inferior a 300 quilômetros, o cidadão passa por nada menos que seis praças de cobrança, com preços que variam entre R$ 4 e R$ 7,90. Não tive coragem de pegar o carro e apelei para o ônibus, cuja passagem custaria poucos reais a mais que a somatória dos fatídicos pedágios, economizando assim com o combustível.

Mococa é um jogador boa-praça, muito simpático e receptivo. Lembrou de histórias interessantes sobre sua passagem pelo Verdão e também por Santos, Bangu e outros clubes. Falou de sua amizade com jogadores como Marinho e Jorge Mendonça e de suas relações, nem sempre tranquilas, com o técnico Telê Santana. “Ele sempre dizia para eu maneirar, ficar esperto. Porque o Telê sabia que eu aprontava”, diz o jogador, admitindo seu passado boêmio.

Do Campeonato Brasileiro de 1979, Mococa lembra com carinho da histórica goleada sobre o Flamengo de Zico - 4 a 1 em pleno Maracanã. “A imprensa falou que a gente ia tremer no Maraca, mas jogamos muito. Arrebentamos!”

Sobre a clássica manchete do JT, se disse envaidecido. “Não tem preço ser comparado com um jogador que depois seria conhecido como o ‘Rei de Roma'”. Ele também diz não se importar com os contornos folclóricos que o texto ganharia com o passar do tempo. “Sou lembrado até hoje por conta dessa matéria no jornal”.

Mococa lembra que, antes dos embates contra o Inter, seu time vinha embalado, e que estavam todos confiantes. “Vínhamos bem, a gente tinha boas chances, mas infelizmente não deu. O Falcão jogou muito”.


* Fábio Mendes (na foto com Mococa) é jornalista de Sampa e colheu este testemunho especialíssimo para a Invicto 79 que vai às bancas em dezembro. Agradecemos imensamente o Fábio e acreditamos que ouvir não só o lado colorado daquele campeonato vai dar um molho e tanto a este registro histórico que estamos realizando.

7 comentários:

  1. Ótimo texto. E ouvir os dois lados não é a premissa do bom jornalismo? Pois vocês estão fazendo exatamente isso, um belo trabalho.

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  2. Giulianne Rocha Dias14 de novembro de 2009 19:18

    Muito emocionante ver esse ex-jogador que por sinal é meu pai,ser lembrado mesmo depois de tanto tempo,é sinal que ele realmente fez um belo trabalho durante sua carreira como atleta,como sou a caçula não tive oportunidade de vê-lo jogar.Tenho grande esperança ainda que ele derrote o vício que o tirou dos gramados.Parabéns pela reportagem Fábio!!!

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  3. Um orgulho pra nossa pequena cidade, levar o nome dela e fazer história no meu time do coração o verdão, parabéns pela matéria sucesso, e que Deus abençoe o ex jogador mococa...

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  4. ME LEMBRO BEM DAQUELE 4X1 O MOCOCA JOGOU MUITO
    DEPOIS DE ANOS VI ESTA REPORTAGEM

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  5. Me lembro do Mococa quando jogou no Bangu-RJ, ao lado do Ademir Batista, meu irmão. Bons tempos aqueles o Bangu tinha uma excelente equipe, o Mococa com sua raça e técnica fortalecia a equipe. valeu mococa

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  6. MOCOCA JOGAVA COM JORGE MENDONÇA E PIRES NO MEIO DE CAMPO TINHA BARONINHO NA ESQUERDA , PEDRINHO LATERAL ESQUERDO ROSEMIRO ERA UM TIMAÇO MAS ESTE CAMISA 8 JOGAVA EM .

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