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23/12/2009

INTER É TRICAMPEÃO BRASILEIRO INVICTO



Há exatos 30 anos, numa tarde ensolarada de domingo, o Internacional dava um grande presente de Natal à sua torcida. Claro que esse era um daqueles presentes que o presenteado já sabia por antecedência o que era - graças à noite mágica de Chico Espina -, mas nem por isso milhares de colorados deixaram de ir ao Beira-Rio no dia 23 de dezembro de 1979.

Se sem Falcão e Valdomiro o Inter já havia vencido no Maracanã, não seria com a volta dos dois que levaria sustos. O futuro Rei de Roma marcaria um dos gols da partida, o segundo, mas antes viria o gol do príncipe. Aos 41 do 1º, Jair recebe a bola cara a cara com Leão, corta em alta velocidade e chuta para o gol vazio, fazendo explodir o Mar Vermelho.

No início do segundo, aos 13, Falcão faria mais um, aproveitando rebote (uma das especialidades do Inter na campanha), o quarto no placar agregado. Goleada, passeio, lavada? O Vasco ainda diminuiria, para não ficar tão chato, com Wilsinho, aos 39 do 2º, quando já não havia tempo para mais nada, apenas para o árbitro José Faville Neto apitar o fim de jogo e Bira Burro, malandramante, se antecipar a ele e roubar a bola da partida. O centroavante do tri diz ter a relíquia até hoje.

Confira um trecho da matéria "A Recuperação de Valdomiro", da Revista Invicto 79:

Recuperado fisicamente, o ponteiro jamais ficaria de fora da grande decisão. “Estava totalmente recuperado”, afirma. “Mas aqui foi fácil”. Assim como no bi, em 76, ele quase coroou a decisão com um de seus gols de falta. “O Leão, que já tinha estado comigo na Seleção, sabia que eu ia bater por cima da barreira, então eu bati colocado no canto dele. A bola bateu na trave e correu por trás dele e saiu para fora”, conta. Valdomiro não foi decisivo na grande final, mas não precisava. O seu substituto no Rio, Chico Espina, já tinha garantido o título com seus dois gols. Reconhecendo a grande ajuda de seu reserva para a conquista do título, Valdomiro pediu para Ênio colocá-lo em campo para receber a ovação da torcida. “O Chico era uma pessoa que todo mundo gostava. Quando veio para cá, era difícil porque ele quase não jogava. Eu me machucava muito pouco. Tanto é que todo o tempo que eu fiquei, o Inter quase não contratou ponteiros”, relembra o tricampeão.



23/dezembro/1979
INTERNACIONAL 2 x 1 VASCO
Local: Estádio Beira Rio, Porto Alegre (RS)
Público: 54.659
Árbitro: José Favilli Neto (SP)
Gols: Jair 41' do 1º; Falcão 13' e Wilsinho 39' do 2º;

INTERNACIONAL: Benitez, João Carlos, Mauro Pastor (Beliato), Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Jair e Falcão; Valdomiro (Chico Spina), Bira e Mário Sérgio. Técnico: Ênio Andrade.
VASCO: Leão, Orlando Lelé, Gaúcho, Ivan e Paulo César; Zé Mário, Paulo Roberto (Xaxá) e Paulinho; Catinha, Roberto Dinamite e Wilsinho. Técnico: Oto Glória.

16/12/2009

Inter chega à terceira final da década



Após vencer o Palmeiras no Morumbi, o Internacional só precisava de um empate para confirmar a sua presença na terceira final nacional na década de 70. Para melhorar as coisas, Jair abriu o placar no início do segundo tempo.

Após o Inter abriu o placar quem apareceu foi Mococa, o mesmo que havia sido comparado a Falcão antes da primeira partida. Contudo, já era tarde para o palmeirense vencer o suposto confronto alimentado pela imprensa paulista. Os dois gols de Falcão na ida já haviam selado a classificação colorada.

16/dezembro/1979

INTERNACIONAL 1x1 PALMEIRAS

Local: Estádio Beira Rio, Porto Alegre (RS)

Público: 69.575

Árbitro: José Roberto Wright (RJ)

Gols: Jair (INT) 3' e Mococa (PAL) 7' do 2º;


INTERNACIONAL: Benitez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Jair, Falcão e Mário Sérgio; Valdomiro (Adilson) e Bira. Técnico: Ênio Andrade

PALMEIRAS: Gilmar, Rosemiro, Beto Fuscão, Polozzi, Pedrinho; Pires, Mococa (Zé Mário), Jorge Mendonça; Jorginho, César (Carlos Alberto) e Baroninho. Técnico: Telê Santana

14/12/2009

Falcão ou Mococa?

No dia 13 de dezembro começava o duelo semifinal contra o Palmeiras, numa das partidas maiores partidas da história do Internacional. Num Morumbi lotado, 3 a 2 de virada, sobre o time de Telê Santana. A partida ficou marcada pela manchete do Jornal da Tarde, de São Paulo, que perguntava "Falcão ou Mococa?". Tudo terminou em uma bola dividida entre os dois meio-campistas, na qual Falcão, com um voleio sensacional estufou as redes palestrinas.

Sobre esta partida, a revista "Invicto 79: o primeiro, o único" traz matéria de três páginas, falando sobre Falcão e com a visão colorada sobre o confronto.

Mandamos também o repórter Fábio Mendes ir até o município de Mococa (SP) para encontrar o jogador que levou como apelido o nome de sua cidade natal. O Mococa leva vida humilde, mora com irmãos e a mãe, e se sente honrado em ter sido um dia comparado ao "Rei de Roma".

Mais sobre essa história nas bancas e pela internet. Ainda hoje você terá todas as informações.

13/11/2009

Mordido?


Depois de ficar de fora da Copa do Mundo de 78, Falcão foi Bola de Ouro do Campeonato Brasileiro por duas vezes consecutivas (78/79). Nossa equipe perguntou se o craque teria ficado mordido com a não-convocação e se isso o teria motivado. As palavras do Rei de Roma:

"O único momento em que eu pensei na Copa de 78 foi em 82, quando a gente estava perfilado cantando o hino, antes do jogo de estreia contra a Rússia. Aí veio o filme de 78, que eu tinha condições de estar, mas foi uma bobagem, uma briga."

06/11/2009

Rádio Invicto

Nesta sexta-feira brindamos o leitor com a esplêndida narração de Armindo Ransolin, na rádio Gaúcha, para os gols de Jair e Falcão na segunda partida da final do campeonato brasileiro.

Destaque para a nação colorada: "Ai, ai, ai, ai, tá chegando a hora!"

30/10/2009

Valdir Lima, outro nome do Maracanã

Se Chico Espina entrou para história ao substituir Valdomiro, no primeiro jogo da final, marcando dois gols, missão tão difícil também foi dada a outro jogador naquela partida. Valdir Lima, meio-campista, precisou substituir nada menos que Falcão, lesionado. Acabou dando o passe para o primeiro gol de Chico. Na entrevista ele fala sobre a pressão daquela partida e diz que até hoje por onde passa é lembrado por sua participação em 79. O jogador havia chegado ao Internacional para o Brasileiro após ser carrasco do Colorado no Gauchão, jogando pelo São Paulo de Rio Grande. É na cidade portuária, e sua cidade natal, que hoje o ex-jogador vive. Trabalha como supervisor técnico do tradicionalíssimo Rio Grande. A entrevista que publicamos quase que integralmente foi feita por telefone, na semana passada.

Como foi tua contratação pelo Internacional?

A minha contratação aconteceu após o campeonato gaúcho. Antes disso, eu estava há dois anos no Goiás, e aquele campeonato gaúcho eu vim disputar pelo São Paulo de Rio Grande. E foram três jogos com o Inter, onde a gente ganhou os três. E em dois deles eu fiz gol. Quando terminou o campeonato, a direção do Inter, através do Balvé e do Olavo dos Santos, me contratou.

Tu eras dono do teu passe.

Exatamente. Após esses dois anos no Goiás eu tive um problema renal, cálculos renais. Estava acabando meu contrato e eles acabaram não renovando e eu fiquei com o passe livre. Eu vim embora para o Sul. Mas o passe era meu. Aí eu aluguei para o Inter por três meses. E foi renovado logo após aquele jogo no Maracanã com o Vasco que o Falcão não jogou. E a gente decidiu o título lá.

Como foi substituir o Falcão?

Olha, foi muito bom. Claro que é uma responsabilidade muito grande. Em todos os jornais, eu acabei virando o substituto de Falcão. O Ênio Andrade gostava muito de mim. Para vocês verem como é o caráter do Falcão, de manhã ele ligou para o hotel lá no Rio, perguntou como eu tava, e disse para eu jogar como eu costumava treinar. Realmente, nunca tive esse problema. Eu sempre tive frio na barriga antes do jogo. Quando eu botava os pés no gramado, eu só pensava em jogar.

O Falcão nos contou que antes da partida ele pediu que a diretoria falasse renovasse, pelo menos verbalmente, contigo e com o Chico. Como foi isso?

Exatamente, para vocês verem como era o Falcão, que realmente era um líder do nosso grupo. Deu mais tranqüilidade. E também tinha os dois lados, por que o meu contrato estava acabando depois daquele jogo do Rio. Se eu fosse bem, como fui, o Internacional poderia perder o jogador. Tanto é que houve grande interesse do Flamengo em mim e no Chico Espina, e nós chegamos a ser negociados com o Flamengo. Nós íamos para lá e viria o Leandro, só que ele não passou no exame médico. Foi avaliado pelo departamento que tanto ele poderia jogar dez anos, como poderia logo ali adiante não conseguir jogar. E acho que o Inter não quis assumir essa responsabilidade. Na época, a gente perdeu essa oportunidade de jogar num clube também grande e ser titular, por que no Internacional, por mais que eu pudesse jogar, teria que tomar o lugar do Falcão.

Como o Ênio fazia para deixar os jogadores reservas motivados durante a campanha?

Ele conversava com cada um. Ele sabia valorizar o atleta que chegava num clube grande. O Ênio para mim foi o maior treinador com quem eu trabalhei, e olha que eu passei por grandes treinadores, joguei no Rio, São Paulo, Curitiba, Recife. O Ênio jamais dava um grito com os jogadores. No treino, ele vinha caminhando, encostava do lado e dizia: ‘Valdir, tu ta muito aberto, fecha mais um pouco’. Era só isso. E a gente já ia fazer. Era um treinador realmente diferenciado. E isso valeu muito naquela campanha do tricampeonato, como também valeu muito o Gilberto Tim. Ele também era muito competente.

Tu poderias nos dizer por quais clubes tu passaste na carreira?

Eu comecei em Rio Grande, no São Paulo, em 69. Depois eu fui comprado pelo Esportivo de Bento, onde joguei em 75 e 76. Fui campeão do Interior, a equipe que vinha logo após a dupla Grenal no campeonato gaúcho. Dali, o Goiás comprou meu passe, e fiquei lá em 77 e 78. Voltei ao São Paulo e aí fui para o Inter. Depois fui emprestado ao América do Rio, em 80, na época jogava até o centro-avante Luisinho. Dali fui para o Náutico. Depois fui emprestado à Inter de Limeira. Voltei ao Inter no final de 82. O treinador na época me liberou e eu fui para o Coritiba, treinado pelo Paulo Sérgio Poletto. E aí já estava com 32, 33 anos. E naquela época, as equipes grandes já não compravam jogador com aquela idade. Então eu acabei pensando assim, bom se eu não vou mais jogar em time grande, vou parar numa boa.

Tu tinhas 27 anos em 79?

Vinte e seis. Na época não tinha intercâmbio que tem hoje. Eu vejo meninos de 14, 15 que chegam nas equipes grandes. Eu fui chegar no Inter tarde. Talvez se eu chegasse com dezoito, dezenove anos, como chegaram o Falcão e outros tantos. Mas mesmo assim, a minha carreira foi muito boa. Esse tricampeonato até hoje, em qualquer lugar que a gente vai com o Esporte Clube Rio Grande, sempre tem gente nos procurando no hotel, querendo saber daquele jogo no Rio.

Quais as tuas características dentro de campo?

Eu era um meia como talvez hoje até não tenha. Não só eu, como outros jogadores da época. Eu era do tipo cadenciado, de toque de bola. Uma técnica que eu considerava muito boa. Eu costumava errar no máximo dois, três passes por jogo. Às vezes eu me cobrava quando chegava em casa, minha esposa dizia: “Pô, tu foste elogiado”. E eu falava, “fiquei insatisfeito, errei cinco passes”. Os jogadores hoje o que erram de passe é um absurdo. Na época que eu joguei era muito mais valorizada a parte técnica. Hoje, primeiro vão ver a altura, a força, a velocidade. Então, tu tens um monte de jogadores que quando vem uma bola mais forte, ela dá na canela. Eu era mais de dar assistência que de fazer gols.

28/10/2009

Inter massacra Rio Branco no Beira-Rio


Após um descanso de sete dias, o Inter retornou ao Brasileirão em grande estilo, aplicando a sua maior goleada na competição em cima do Rio Branco.

A partida marcou o retorno de Bira, que tinha se machucado em sua estreia na competição, que fez dois gols, e a estreia de Édson Galvão no lugar de João Carlos. Outra novidade em relação à fraca atuação contra o América-RJ foi o retorno de Falcão, que tinha cumprido suspensão automática. E foi o capitão quem abriu o placar, aos 38 minutos do primeiro tempo, ao concluir uma cobrança de escanteio de Mário Sérgio. No fim de etapa, Jair aumentou para 2 a 0 de pênalti.

E a vitória tranquila virou goleada no segundo tempo. De acordo com a ZH do dia 29 de outubro, o Rio Branco cansou no segunto tempo e sucumbiu perante o melhor preparo físico da equipe do Internacional. Bira ampliou aos 6 minutos, concluindo cruzamento rasteiro de Chico Espina, e aos 11 minutos, de cabeça, depois de cruzamento de Mário Sérgio. Baiano descontou para o Rio Branco e Falcão concluiu a goleada, também de cabeça.

O resultado deixou o Inter na liderança de seu grupo, com 14 pontos, 6 V e 2 E.

Campeonato Brasileiro 1979 – 8ª rodada

28/outubro/1979

INTERNACIONAL 5 x 1 RIO BRANCO

Local: Estádio Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
Público: 17.080 pagantes
Árbitro: Saul Schmidt

INTERNACIONAL: Benitez, Édson Galvão, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Toninho, Jair, Falcão e Mário Sérgio; Chico Espina (Adílson) e Bira (Mário). Técnico: Ênio Andrade

RIO BRANCO: Jair, Ramon, Gabriel, Jorge Luís (Adalberto), Luís Carlos (Daniel); Bira, Baiano, Corró; Carlinhos, Da Silva e Jonas. Técnico: Vavá

Foto: Fac-símile de ZH do dia 28/10/1979

27/10/2009

Relato 79: Um Certo Camisa 5

Márcio Mór Giongo

Morumbi. Noite paulista. Um adversário poderoso. O Palmeiras de Telê Santana. Ou seria o Palmeiras de Mococa?

Interior do Estado. Férias escolares. Casa de meu Avô. Duas televisões. Familia dividida. Gremistas na sala de estar. Colorados no quarto de dormir. Um Avô impecavelmente neutro.

O Palmeiras marca o primeiro tento. Festa na sala de estar. Mas o Príncipe Jajá em um tiro de fora da área empata. Que maravilha!!!

Segundo tempo: Palmeiras de novo na frente. A sala de estar em festa.

Embate chegando ao fim. Quando um certo Camisa 5 brilha. O vermelho da tv colorida do quarto de meu Avô, resplandesce. A pelota é alcada na área, Falcão cumprimenta o arqueiro paulista e empata mais uma vez. Que beleza!!!

Novo cruzamento para a área. Ele de novo! O craque dos cabelos encaracolados, de bate-pronto empurra a bola para as redes do Palmeiras. Feito!!!

Falcão corre em minha direcão. O banco de reservas comemora. Pirâmide sobre o Camisa 5 rubro.

Vitória garantida, alegria incontida, uma televisão colorida e uma sala de estar vazia.

23/10/2009

O melhor meio-campo dos últimos 40 anos

Em nossa conversa com o jornalista Divino Fonseca, o jornalista levantou a bola de que o fantástico meio-campo do Internacional em 79 seria o melhor dos últimos 40 anos no futebol brasileiro. "Para mim, tu olhares a história moderna do futebol brasileiro, dos anos 60 para cá, é raro tu ver um meio-campo com aquela qualidade. Batista e Falcão numa mesma linha, Jair pela meia-direita, Mário Sérgio. Meu Deus!"

A opinião é polêmica, uma vez que grandes meio-campos foram formados no Brasil anteriormente àquele time e após. Adílio, Andrade e Zico (Flamengo), é tido como um dos grandes meio-campos da história do futebol mundial também. Mas, analisando pelo ponto de vista de Divino, será que tinha o mesmo poder de marcação? E o Inter de 75? Caçapava, Falcão e Carpegiani? Bom, Batista era superior a Caçapava e o próprio Falcão de 79 era mais completo que o Falcão de 75, embora Carpegiani de 75 certamente teria espaço no time de 79.

Nos anos 90, o Palmeiras tinha César Sampaio, Flávio Conceição, Zinho e Rivaldo, um baita meio-campo. Em comparação com o time de 79 do Internacional, pesa que esses jogadores do Palmeiras ainda não tinham atingido o seu auge em 94. Mais recentemente o Corinthians formou Vampeta, Rincón, Ricardinho e Marcelinho, provavelmente o melhor meio-campo dos últimos 10 anos no Brasil, mas provavelmente aquém do time de 79.

E o blogueiro, concorda com Divino? Prefere outro meio-campo? Qual?

Boa sexta-feira a todos!

22/10/2009

Mauro Galvão e o bico



Neste vídeo, Galvão esclarece a vez em que Falcão lhe mandou dar de bico e ele respondeu: "Onde é que fica o bico?".

20/10/2009

Mário Sérgio fala à Rádio Invicto

A volta de Mário Sérgio ao Beira-Rio após trinta anos trouxe ao nosso trabalho dois ingredientes especiais. Primeiro, o de que é muito mais legal entrevistar alguém presencialmente que por telefone, além das dificuldades que por ventura poderíamos ter para encontrar o treinador. E segundo que, o Mário pode agora ser o elo entre duas conquistas, a última e a que pode vir. Vamos torcer.

No player do lado direito da página, na indefectível Rádio Invicto, está rodando um trecho da nossa entrevista, no qual Mário Sérgio fala sobre seu primeiro desembarque no Beira-Rio. O ex-meia esquerda conta sobre as dificuldades de adaptação ao futebol argentino (estava no Rosário Central) e mostra que Falcão era mais que um simples capitão que comanda a equipe dentro de campo.

15/10/2009

Mococa, um anti-herói palmeirense


Por Fábio Mendes *

À primeira vista, a missão era agradável: encontrar e entrevistar Mococa, ex-volante do Palmeiras entre 1978 e 1980. O jogador ficou famoso por conta da famosa manchete do Jornal da Tarde que o colocava, ao lado de Falcão, como protagonista do grande duelo nas semifinais do Brasileirão de 1979, entre o alviverde e o Internacional: “Falcão ou Mococa?”, estampou o periódico, no dia 13 de dezembro daquele ano.

No entanto, um obstáculo se colocou à frente. Para chegar a Mococa (sim!), pequeno e simpático município do estado de São Paulo, distante 275 quilômetros da capital, é preciso encarar uma praga terrível que assola o estado paulista, algo ainda mais voraz e perigoso que nuvens de gafanhotos. Os pedágios!

Para um percurso inferior a 300 quilômetros, o cidadão passa por nada menos que seis praças de cobrança, com preços que variam entre R$ 4 e R$ 7,90. Não tive coragem de pegar o carro e apelei para o ônibus, cuja passagem custaria poucos reais a mais que a somatória dos fatídicos pedágios, economizando assim com o combustível.

Mococa é um jogador boa-praça, muito simpático e receptivo. Lembrou de histórias interessantes sobre sua passagem pelo Verdão e também por Santos, Bangu e outros clubes. Falou de sua amizade com jogadores como Marinho e Jorge Mendonça e de suas relações, nem sempre tranquilas, com o técnico Telê Santana. “Ele sempre dizia para eu maneirar, ficar esperto. Porque o Telê sabia que eu aprontava”, diz o jogador, admitindo seu passado boêmio.

Do Campeonato Brasileiro de 1979, Mococa lembra com carinho da histórica goleada sobre o Flamengo de Zico - 4 a 1 em pleno Maracanã. “A imprensa falou que a gente ia tremer no Maraca, mas jogamos muito. Arrebentamos!”

Sobre a clássica manchete do JT, se disse envaidecido. “Não tem preço ser comparado com um jogador que depois seria conhecido como o ‘Rei de Roma'”. Ele também diz não se importar com os contornos folclóricos que o texto ganharia com o passar do tempo. “Sou lembrado até hoje por conta dessa matéria no jornal”.

Mococa lembra que, antes dos embates contra o Inter, seu time vinha embalado, e que estavam todos confiantes. “Vínhamos bem, a gente tinha boas chances, mas infelizmente não deu. O Falcão jogou muito”.


* Fábio Mendes (na foto com Mococa) é jornalista de Sampa e colheu este testemunho especialíssimo para a Invicto 79 que vai às bancas em dezembro. Agradecemos imensamente o Fábio e acreditamos que ouvir não só o lado colorado daquele campeonato vai dar um molho e tanto a este registro histórico que estamos realizando.

07/10/2009

Mário Sérgio de volta, trinta anos depois


- Pô, tu ta loco, o Mário é maluco!

- O Mário não é maluco, não. Se vocês cumprirem com ele, ele é um puta profissional. Ele só é maluco quando os caras prometem e não cumprem. Mas podem trazer que eu garanto.

Foi nessa conversa entre Falcão e os dirigentes Marcelo Feijó e Gilberto Medeiros que o capitão convenceu-os a contratar Mário Sérgio, uma espécie de Edmundo de seu tempo.

O carioca Mário Sérgio Pontes de Paiva surgira para o futebol no Vitória da Bahia, conquistando a Bola de Prata de Placar por dois anos consecutivos em 73 e 74, anos em que o clube, até então com pouquíssima projeção nacional, conseguiu ficar entre os dez melhores do País. Depois de passar pelo Fluminense de Rivelino, Botafogo e Rosário Central, desembarcava em Porto Alegre.

Ao contrário do que as escalações tradicionais dizem, Mário Sérgio não jogou de ponteiro-esquerdo em 79. Segundo Falcão, o Internacional jogava com quatro homens de meio, sendo um deles o atual treinador colorado que, quando o time estava com a bola, abria pela esquerda para jogar com Cláudio Mineiro. O ataque era formado por Valdomiro (Chico Espina) e Bira.

No Internacional, Mário Sérgio provaria que Falcão estava certo ao recomendar sua contratação, sendo campeão brasileiro em 79 e repetindo o feito dos tempos de Vitória, ganhando Bola de Prata em 80 e 81.

Mas o começo não foi fácil. Em uma partida contra a Desportiva, já na segunda fase do Brasileiro de 79, Mário fora vaiado pela torcida e seria substituído por Ênio Andrade no intervalo, não fosse uma lesão sentida por João Carlos.

Após a partida, mesmo com goleada colorada, Mário saiu de campo irritado com o que acusou ser uma campanha para jogá-lo contra a torcida. Assim declarou à Zero Hora:

- Se não pararem com esta bobagem, vou resolver a coisa pessoalmente. Homem todo mundo é.

É, Falcão tinha razão. Mas os dirigentes também. O Mário é maluco.


Foto: Mário Sérgio, o 'maluco' em ação contra o Vasco (ClicRBS)

29/09/2009

Ping Pong


Na última quarta-feira publicamos imagem do Jair extraída de uma figurinha. O amigo Diego Beck me alertou que se tratava de uma figura da coleção de cards do chiclete Ping Pong, do ano de 78.

Vários jogadores do elenco colorado imortalizados nos chicletes por esse Brasil afora também estavam em 79. Do time titular quatro jogadores não constavam: Mário Sérgio, Bira, Mauro Pastor ainda não atuavam pelo Internacional. Mauro Galvão ainda não subira para os profissionais.

Este site tem praticamente toda a coleção. Cláudio Mineiro você pode encontrar no elenco do Corinthians. Alguns jogadores que haviam vestido a camisa do Internacional anteriormente também podem ser encontrados, como Bráulio, no Coritiba; Carpegiani, no Flamengo e Escurinho, no Palmeiras.
Vale a pena também ver a cabeleira do Muricy, como bem lembrou este post do Impedimento.

25/09/2009

Um capitão de verdade




Afora esse pequeno momento de tietagem explícita, Falcão nos deu ótima entrevista. Foi no começo de uma tarde de setembro em um café, numa galeria, em Porto Alegre. Bastante bem-humorado, o craque volta e meia era abordado por algum incauto que lhe parabenizava pelas conquistas do passado.

- Eu sou gremista, mas admiro muito teu futebol. Vibramos juntos em 82, uma das maiores injustiças do futebol – disse um deles.

O papo durou cerca de meia hora. Falcão confirmou algumas histórias sobre sua liderança no grupo e ascendência sobre os mais jovens. O capitão de 79, demonstrou a amplitude com que exercia esta função, inclusive com bastante trânsito com a diretoria do clube.

Algumas dessas histórias de bastidores, o ex-jogador não revelara a ninguém nestes 30 anos. Mais um conteúdo exclusivo que virá à tona na comemoração deste título.

24/09/2009

Artilharia colorada

Como mostramos ontem, o príncipe Jajá foi o artilheiro do Internacional no Brasileirão de 79. Dos 41 gols assinalados para o Colorado, ele foi responsável por 10. O resto do elenco colorado balançou as redes 29 vezes.

Bira, contratado no início do campeonato para ser a referência do time na competição, aparece em segundo na tabela de artilheiros colorados com 8 gols marcados. O gol mais importante de Bira na competição foi marcado contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, na fase quartas-de-final.

Com 6 gols, Falcão foi o terceiro artilheiro do Inter em 79. Apesar de marcar poucas vezes durante a primeira fase da competição, Falcão balançou as redes duas vezes contra o Palmeiras, em São Paulo, na primeira partida da semifinal. Após ficar de fora da primeira partida da final, ele voltaria a marcar o último gol do Inter no campeonato, na vitória de 2 a 1 sobre o Vasco, no Beira-Rio.

No entanto, ninguém supera Chico Espina na relação gols importantes por gols marcados. Antes de marcar duas vezes na primeira partida da final contra o Vasco, no Rio de Janeiro, Chico Espina tinha balançado as redes apenas uma vez nas suas demais 15 participações no campeonato.

Confira os demais artilheiros:

Adílson – 3 gols
Valdomiro – 2 gols
Mário Sérgio – 2 gols
João Carlos – 2 gols
Batista – 1 gol
Mário – 1 gol
Mauro Pastor – 1 gol

Se você somou os 10 gols de Jair com os 29 do restante do elenco e ficou se perguntando onde foram parar os outros dois gols assinalados para o Inter em 79, eis a resposta: um gol contra feito por Casagrande, do Figueirense, e um gol marcado para o Inter na vitória de W.O sobre o Atlético-MG, na fase quartas-de-final.