Há exatos 30 anos, numa tarde ensolarada de domingo, o Internacional dava um grande presente de Natal à sua torcida. Claro que esse era um daqueles presentes que o presenteado já sabia por antecedência o que era - graças à noite mágica de Chico Espina -, mas nem por isso milhares de colorados deixaram de ir ao Beira-Rio no dia 23 de dezembro de 1979.
Se sem Falcão e Valdomiro o Inter já havia vencido no Maracanã, não seria com a volta dos dois que levaria sustos. O futuro Rei de Roma marcaria um dos gols da partida, o segundo, mas antes viria o gol do príncipe. Aos 41 do 1º, Jair recebe a bola cara a cara com Leão, corta em alta velocidade e chuta para o gol vazio, fazendo explodir o Mar Vermelho.
No início do segundo, aos 13, Falcão faria mais um, aproveitando rebote (uma das especialidades do Inter na campanha), o quarto no placar agregado. Goleada, passeio, lavada? O Vasco ainda diminuiria, para não ficar tão chato, com Wilsinho, aos 39 do 2º, quando já não havia tempo para mais nada, apenas para o árbitro José Faville Neto apitar o fim de jogo e Bira Burro, malandramante, se antecipar a ele e roubar a bola da partida. O centroavante do tri diz ter a relíquia até hoje.
Confira um trecho da matéria "A Recuperação de Valdomiro", da Revista Invicto 79:
Recuperado fisicamente, o ponteiro jamais ficaria de fora da grande decisão. “Estava totalmente recuperado”, afirma. “Mas aqui foi fácil”. Assim como no bi, em 76, ele quase coroou a decisão com um de seus gols de falta. “O Leão, que já tinha estado comigo na Seleção, sabia que eu ia bater por cima da barreira, então eu bati colocado no canto dele. A bola bateu na trave e correu por trás dele e saiu para fora”, conta. Valdomiro não foi decisivo na grande final, mas não precisava. O seu substituto no Rio, Chico Espina, já tinha garantido o título com seus dois gols. Reconhecendo a grande ajuda de seu reserva para a conquista do título, Valdomiro pediu para Ênio colocá-lo em campo para receber a ovação da torcida. “O Chico era uma pessoa que todo mundo gostava. Quando veio para cá, era difícil porque ele quase não jogava. Eu me machucava muito pouco. Tanto é que todo o tempo que eu fiquei, o Inter quase não contratou ponteiros”, relembra o tricampeão.
23/dezembro/1979
INTERNACIONAL 2 x 1 VASCO
Local: Estádio Beira Rio, Porto Alegre (RS)
Público: 54.659
Árbitro: José Favilli Neto (SP)
Gols: Jair 41' do 1º; Falcão 13' e Wilsinho 39' do 2º;
INTERNACIONAL: Benitez, João Carlos, Mauro Pastor (Beliato), Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Jair e Falcão; Valdomiro (Chico Spina), Bira e Mário Sérgio. Técnico: Ênio Andrade.
VASCO: Leão, Orlando Lelé, Gaúcho, Ivan e Paulo César; Zé Mário, Paulo Roberto (Xaxá) e Paulinho; Catinha, Roberto Dinamite e Wilsinho. Técnico: Oto Glória.